quarta-feira, 19 de maio de 2010




"ponte dos desejos..."
"é... É, é sim, a ponte dos desejos..."
caminhando sobre vales, ouvi alguém sussurrar,
ouvi diversas vezes alguém estas palavras falar,
curioso fiquei, decidir seguir os gritos,
as falas, os sussurros, os risos...
mais a cima havia uma casa simples,
na sacada haviam cadeiras e em uma delas estava um senhor...
de olhar fixo ao chão sussurrava, ria, gritava... até o instante em que viu-me.

ao ver-me aproximou-se aos tropeços,
sorridente olhou fixamente aos meus olhos
e perguntou-me se conhecia a ponte a qual falava,
dizia mais a frente estar ela,
sendo esta capaz de realizar a todos anseios,
dizia ele que cada passo dado sobre ela realizava-se um desejo.

para não contrariar tão curioso senhor finge concordar,
mas em meu interior eu brandia em risadas,
diante de tanta vivacidade segui-o até o local por ele indicado
lá havia de fato uma ponte
e quatro senhores lá estavam parados
ao aproximar-me um deles atravessou
tornou-se criança e saiu para brincar no bosque...
os outros riram contentes... aproximei-me abismado
e o curioso senhor já não estava ao meu lado.

o próximo da fila tinha uma face apática
e desejava preencher o vazio que havia em seu interior,
este era muito rico e honrado, mas sentia-se de alma fraca.
atravessou e a cada passo caiam joias parte de sua armadura...
ao fim toda sua riqueza na ponte ficara
e no outro lado havia uma belíssima moça,
com a qual este jurou amor e seguiu em busca de um bom lugar,
para constituir um lar
e viver com a moça.

o próximo desejava ter dinheiro, riquezas...
a cada passo juntava aquilo que outro deixara,
ao fim rico e feliz estava... seguiu cantarolando,
estava reconfortado...

o ultimo antes de mim desejava voltar para casa,
foi abandonado neste lugar a muito tempo por sua tropa,
desejava retornar ao seu lar,
não fazia idéia de quem era, mas queria retornar ao seu lar.
no meio da ponte sorriu e disse seu nome,
contente correu para o fim da ponte...
desaparecendo sem deixar rastros.

em um dos apoios da ponte havia algo escritos...
"vá e jamais retorne"
não sabia o que desejar,
olhei para trás e haviam diversas pessoas repugnantes,
se empurravam, trocavam injurias, todas queriam atravessar...
imaginei diversas coisas, mas não conseguia decidir,
comecei a andar, a correr e senti vontade de voar,
voei tornei-me um pássaro, a como é bom sentir,
senti-me livre,
mas ainda encontrava-me no meio da ponte,
desejei que esta deixa-se de existir...
e não olhei mais para trás.

feliz é o ignorante que não sabe desejar,
feliz é aquele que deseja o jamais,
aqueles que não sabem o que há por trás
de tudo aquilo que já ouve,

pois ao fim somos apenas animais


segunda-feira, 12 de abril de 2010

um conto rimado (sem titulo... mas rimado...)





aqueles que tem tato
e assim podem ouvir,
aqueles que não enxergam
por isso mal podem saborear, sentir.

Quero contar-lhes uma historia,
um conto sobre dias comuns,
sem arcadismos,
repleto de incoerências,
lacunas, sem solução,
pois bem, começarei de antemão.

A historia tem inicio,
no começo...
eram duas crianças,
sem vicios,
sem profundos desejos,
eram infância.
eram harmonia,
pois não conheciam o medo,
a infelicidade, a discórdia.
não havia para eles a necessidade, a esperança,
pois conviviam bem com o etéreo,
eram lembrança,
daquilo esquecido.

Mas como tudo na vida
os momentos são movimento,
sensações turbulentas, puro, intenso.
a calmaria da relação entre as crianças,
hora era intensa,
simplesmente, apenas...

e foi de uma discussão que o atrito,
sem vontade, formou-se,
forte momentâneo, crescente, intenso...
tornou-se briga, tornou-se desgastante... cansaço
formou-se
algo indesejado.

E sob a moradia em que estavam,
ouviu-se gritos, gemidos, choros... tristeza....
medo tiveram,
pois não eram eles quem gemiam,
eram leveza,
e rapidamente se esconderam.
pois as portas se batiam...
se separam,
a garota trancou-se no quarto protegida,
apavorada...
triste,
estava só não se sentia forte.

já o garoto recuo-se esperou cessar
tudo aquilo...
esperou em vão, desejou correr, fugir, escapar...
sabia não ser forte, tinha medo,
tudo era incompreensível,
saiu pela porta, tinha medo...
correu até esquecer...
esquecer...
tudo o que vivera,
não havia mais lembranças,
cresceu forte, alheio a tudo que acontecera,
achava não ter infância,
Sentia-se órfão...

a menina também cresceu...
tornou-se moça,
tinha em sua mente a memoria viva,
e por muito tempo tristeza sentiu.
crescera alheia, sabendo o porque...
estava só, sem desejar crescer.

queria reviver para sempre a felicidade passada...
a boa infância vivida.
Tudo aquilo que o garoto, já homem, esquecera,
postergara,
ao fugir,
ao correr sem remorsos sentir...

E por muito tempo a realidade foi esta...
o distanciamento,
o esquecimento,
que com o tempo logo alcançou a moça.
sem desejar as lembranças foram se tornando vagas,
até o ponto de esquecidas.

e a historia senhores por mim teria este fim...
mas não o destino, a vida é dúbia.
E este conto tem dois finais.
o primeiro fim
é este, a felicidade e a paz...
resguardada pelo esquecimento daqueles dias,


o outro fim
é de todo belo também,
pois sim...
a moça esquece o o que ocorrera também,
mas é hora do rapaz recordar,
sem perceber em um dia comum, este está a procura
de um novo lar,
um novo lugar...

e sente atração por uma velha moradia,
antiga, desabitada a muito tempo,
mas para ele instintivamente bela, uma fabulosa moradia...
esta era sua antiga morada
(previsível não), sua bela morada,
recorda ter abonado esta a muito tempo...
recorda ter conhecido uma menina,
apaixonado pela lembrança
do algo perdido...
inalcançável,
tudo muito trágico,
tudo inviável,
parte a busca dela...
mantém sua morada viva,
mas vez ou outra a busca,
a procura...
deseja revê-la,
nada mais,
há na realidade um toque de jamais,
que fere suas esperanças,
suas lembranças,
seu coração,
e por mim a historia teria seu fim aqui,
mas não é aqui
que termina...
sem emoção,
desolado, esquece a procura.
há apenas em suas memorias, revive o passado
e decide passar uns dias fora,
esquecer por hora,
já que desistiu de procurar,
de buscar...
o que lhe faltava.
foi a caça, a pesca, foi em busca de uma pequena aventura...
podem pensar que de sua pesca
trará a bela moça fisgada,
mais um engano.
quereis pensar a historia ter seu fim
assim,
romantico,
belo...


mas não
a enganação
é o ponto chave deste conto,
cansada de jornadas a moça busca repouso,
sem se dar conta,
encontra uma casa renovada
de janela entre aberta...

(desculpem-me pelo descuido)
mais foi desta forma
que pela primeira vez,
de uma vez...
na infância o pequeno rapazote pulou a janela,
não se sabe porque, mais foi assim que se encontraram...
ele e ela,
repetem-se os passos, mas desta vez é ela cansada,
buscando um descanso, uma parada...
retorna o rapaz contente,
incessante,
da caçada esta satisfeito,
de uma certa forma satisfeitos estão,
após três dias distante está revigorado,
da mesma maneira que a moça.

por acaso, sorte... não sei bem...
este abre a porta e a encontra de saída...
fugida... assustada,
não sei bem
ao certo os fatos,
se esta tenta fugir e ele a agarra,
se ela retorna e se recorda...
sei que o episódio
torna-se risada,
sei que passam a relembrar,
se dar conta
do transcorrer disto...
revivendo o esquecido, já vivido,
sob o olhar da mocidade,
na mesma moradia, em um ato de simplicidade.

longa... exaustiva, nem dormi...

sexta-feira, 9 de abril de 2010




euforia, loucura, agitação.

estranho... não há em mim...
qualquer sensação
sob a cama me encontro em repouso
incapaz de sentir...
estou mais magro, nada restou
apenas... ossos
secos, sem vida, não sei o que sou...

mas nada mais me aflige
não tenho medo, pois não há mais nada,
estou imóvel, incapaz, sem desejos...
sem calor, sem tato... sem dor,
não há mais curiosidade,
nem força ou vontade.

e ao meu a lado agora vejo
não claramente... pois ainda é noite
uma moça sem face, pálida
pela fraca claridade que atravessa a penumbra
pela janela,
assim como eu está imóvel,
não sei se infeliz... se chorosa...
apenas está lá, imóvel...

jamais pensei estar bem nesta situação,
ao fundo a luz torna-se a cada instante mais forte
percebo-me mover e cair

(como um corpo sem vida sob o chão me encontrei... mas ainda era um corpo)
acordo suado e com medo,
não de tudo aquilo que ocorreu...
durante a noite, mas por ter retornado...
poder sentir novamente... vulnerável!

era tarde... estava atrasado,
parei de chorar e segui em frente...


realidade as avessas... ou será que não...

segunda-feira, 29 de março de 2010



a impessoalidade... é o segredo,
sempre foi...
estou vivo... aqui
apenas por conta disto,
não há realidade,
nem pureza ou mesmo verdade.
há perspectivas,
a busca por vantagens...
tentativas
de fracasso, pois são entediantes as vantagens.

um mergulho em um mar de veneno
sob um barco naufragado,
feito de ferro...
o amigável é doce e apagado...
apático como a impessoalidade,
sob o racional...
transborda a imoralidade,
pois a fundo o que há é o cordial,
a irracionalidade justificada.

não há mais nada...
além do impessoal
que valha o esforço,
somos o esboço
de um fracassado natal.

- na tentativa de se viver esquecesse-se o que é certo, na tentativa de se fazer o certo esquecesse-se de viver. De qualquer forma saímos perdendo... não há vitória apenas a aceitação do fardo a ser carregado. -

doces ironias e reflexos da madrugada...

quarta-feira, 3 de março de 2010



um viajante procurava repouso...
por muitos lugares havia andado,
mas em nenhum destes havia gosto,
por ruas, cidades e vilas, caminhou... sem repouso,
estava farto da realidade que era a sua,
das dores em sua pele que ainda encontravam-se cruas...

E assim passava seus dias,
era nômade
e não restava em lugar algum por mais que três dias...
estava cansado... não suportava mais o compasso constante,
decidido.
em um pequeno lugar escolheu morar...
por ora lá era um bom lugar...
todos eram conhecidos,
se apresentavam amigos,
dóceis, com curtas presas,
tudo era simples, a vida era bela,
todos eram sutis, confidentes, amigos.

em um pequeno quarto decidiu morar...
de dia tudo que havia lá
era bom,
a melhor forma de se definir para ele o que tudo aquilo era... era bom...

por muitas noites dormiu bem...
sem medo, dormia bem...
e de pequenos sussurros as noite se encheram...
mal percebeu, mas vozes sobre as ruas, passos sobre as ruas, haviam...
mas este ignorava,
sua mente anestesiada estava...

mas com o passar do tempo este já não suportava,
olhava pela janela e não havia nada...
até que um dia se deu conta de que a vila murmurava...
as belas pessoas da vila, eram deformadas...
decrépitas... o sonho de tranquilidade
dava lugar a insegurança,
não haviam mais bondade,
rastejavam pela noite...
aquilo, aqueles que sobre o dia alegravam-lhe o peito,
sobre as ruas, como em açoite...
ao som de um frio e tenebroso vento.
desmascaravam-se estes seres.
tão belas mascaras obtiveram estes....

E o viajante já não suportava os falsos sorrisos...
os abraços, os afagos.
este deveria ir,
não suportava mais ficar,
desejava ir
e não mais voltar...
amaldiçoou o dia em que desejou tranquilidade...
foi-se e não mais retornou,
apagou-se o sonho de prosperidade...
foi em direção ao deserto e não mais voltou.







ópio diário...
afago tendencioso...
sobre o cansaço,
o infernal peso dos passos,
me refiz...

me reconstruí,
sobre as doces ruínas do que era,
do que me tornei após algumas eras...
...
....
respiro fundo...
e assim procuro em meu ser,
consistência, algo em que possa me ater,
mas tudo é novo... tudo...

dos passos...
retornei ao engatinhar,
estava cansado do rastejo, do caminhar...
fraco, sem real avanço.

meu corpo aparentemente é o mesmo.
pelo menos era não sei mais,
nada sei mais...
nada quero... nem espero.

minha memória era bela... mas está espaça...
tudo se esquece, o tempo apaga,
o ópio é o cotidiano,
esqueço o que passou, os sabores mundanos,
não me recordo mais do que gosto,
o que sou... estou reaprendendo,
tudo é novo.
e o passageiro...
parece me doce,
pois é só o que sei.


sábado, 13 de fevereiro de 2010

trocadilhos, brincadeiras ... peças
somos sapecas, somos crianças...
ah... doce infância
quero doce, quero frutas, quero manga.
tudo muda... não ligo a tragédia...
quero escalar árvore, quero manga, quero manga.

quero aquela lá em cima
quero aquela, quero aquela, quero aquela...
lá em cima
quero ela, quero ela, quero ela...

estou só... e tenho fome...
aquela árvore é grande,
mas tenho fome...
é muito grande...
e eu quero manga...
não quero qualquer uma... quero aquela lá em cima....
travessura, travessura...
risos e loucura...
está tão perto...
parece tão deliciosa... acredito...
"menino!! AI SANTO DEUS... DESSE DAI..."
olhei para trás em susto e ímpeto...
caí, gritei: aaaahhh... disse: "ai...AIaiAI"
está doendo... está doendo...
quero ajuda...
está doendo...
ah... doce aventura...