terça-feira, 1 de novembro de 2011

um suicida.





Conheci um rapaz que sonhava um amor,
sonhava beijar os labios de uma doce flor.

Ela era linda e de olhos carinhosos,
tão doce era o amor dos dois,
tão belos eram os sonhos do garoto,
eram dois belos amores,
segredos que nem um compartilhava ao outro.

O rapaz amava a moça
e a moça amava o rapaz,
o garoto ensaiava no espelho o que diria ao vê-la
e a garota imaginava a face do rapaz sobre as nuvens
no jardim da cidade.
Mas estes só trocavam olhares nada mais,
um sorriso da moça,
e a vermelhidão do rapaz, e a saudade
apertava quando a garota ia para casa
e o rapaz também.

Os dois cresceram guardando o amor,
outros amores vieram e o garoto perdeu o medo do amor.
Mas se ver não mais.
A moça e o garoto jamais.
Pois a moça se foi, e o rapaz
não amou mais ninguém e nada mais.



quarta-feira, 19 de outubro de 2011

meu copo está seco, logo eu também



bebe menino, porque a tristeza está fora do copo.
sonha rapaz, porque o ideal fantasiado é só o que é real.
quem brinca de bola é garoto,
quem caminha sobre o mundo é mendigo
e quem sabe tem!

Sonhos são desejos ainda não alcançados,
disse o homem antes das asas de ferro,
"sonhei que ainda estava com ela",
disse o homem comum, antes de beber mais um copo.
Pois quem pode tem e quem não tem somos todos nós.
"eu quero mais, eu quero tudo e mais o que você tem",
pensa um garoto esforçado que deseja o suor da terra.

tudo é capital, proteger o meio ambiente também é capital,
o sonhar já não é mais natural
e criar apenas por criar é reprovável.
"eu quero o mais doce mel
da mais doce flor"
foi-se o poeta, que venha o rico,
objetivamente seco, mas de doce luxo.
naturalizou-se o horror.

E as tradições são meios de sobrevivência.

"o que você faz da vida?"
"sou operador de maquinário industrial especializado na fabricação de pontas de lápis,
mas escrever é o que eu mais gosto de fazer".
"eu quero dinheiro", dizem os heróis vis.

Até doar é ato de egoismo, desejei que não fosse, uma vez.
Substituímos o doce rancor das virtudes
inalcançáveis,
pela a norma jurídica fundamental e o papel dinheiro.
A liberdade tem cheiro
e fede a "coisa" morta.

Mas eu sou feliz enquanto eu gasto,
enquanto eu como torta,
enquanto eu tenho.
"e quando não se tem?"
"feliz é o pobre que se preocupa com pouco"
"a vida do rico é ruim, vazia"
diz o rico, cheio de bebida e comida.
"meu copo está seco,
logo eu também".

joão sonha seguir o arco-iris,
mas tem medo de alcançar a ponta,
por causa do dinheiro, pois não saberia o que fazer com o que conseguisse.
então este apenas sonha,
tentando imaginar o que faria,
se um dia alcança-se a ponta do arco-iris.



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

projeto haikai

fonte d'água,
o andarilho vislumbra e deseja
"beber da felicidade".



(Primeira tentativa)

segunda-feira, 2 de maio de 2011



Sorte dos que conhecem um poeta,
pois só poetas sabem interpretar os sentimentos dos outros
como nem mesmos nós sabemos,
somos confusos em nossos ideais, valores e perspectivas.

porém o poeta ver e entende,
assim como os passaros veem o vento
e manobram, serpenteando pelo ar, indiferentes.
triste também dos poetas que não teem

ninguém para ver e interpretar por eles
a vida em sonetos.


quarta-feira, 13 de abril de 2011




contornos de passaros esvoaçam entre nuvens sob os prédios,
caminhando entre vazios,
enquanto eu os vejo arranhar o vidro
quem me divide da realidade,
aqui tudo o que eu percebo é aquilo
que transpassa a minha janela fechada,
a sombra das coisas que refrataram e o acaso me deixou apreciar.

um mergulho sob um telhado, a sombra encosta as telhas,
sobe ao céu perfura uma nuvem e o céu chora, a chuva esfria o tempo,
a água coça a janela me passando uma doce sinceridade.
os prédios continuam no lugar, mas os passaros procuram abrigo,
um passarinho verde bate na minha janela,
mas a chuva já estava passando,
eu o pego, este cabe nos meus dedos e esperamos os últimos minutos de chuva.
logo ele vai embora me deixando um solstício de liberdade,
enquanto eu volto a um estado puramente... contemplativo.


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

ela.



no inicio tudo era massa turva,
neblina pura,
então tornou-se chuva,
mas esta já não era doce, como as outras,
as gotas
da chuva eram amargas,
secas, sem cor ou ternura.
Com muito gosto tentei esquecer a amargura de tudo isto,
mas não podia, porque logo vinha,
a doce calmaria...
um doce riso,
um beijo e tudo era reflexo... sobras da outrora neblina,
sombras
daquilo que eu tanto me esforcei para apagar,
mas que, como a maré, também retornam
e chocam
sobre a areia opaca.

São trabalhos incompletos de alguém que não deseja
o fim dá obra,
porque sabe ser incapaz de alcançar a perfeição
que é esta obra inconsequentemente inacabada.

Passos sobre a areia,
que logo quando a maré chegar se apagarão,
e diante do cenário das ondas,
formam uma belíssima imagem de dois tempos,
o momento em que se faz as pegadas e as marcas sobre a areia,
e o momento em que o mar cobre as marcas com seu véu
e leva para o fundo as sobras de doces lembranças,
que somente ele compartilha, pois esteve lá, acompanhando o momento,
esperando sua vez de agir
ao nosso favor e apagar nossos vestígios
que são só nossos e de ninguém mais.

(meus cumprimentos a felipe spider, belíssima imagem)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

peter pan


quem desejou a morte do próximo, mas jamais admitiu?
foi eu, foi tu?
quem amou as cegas, mas jamais descobriu o amor?
quem foi?
em meu amor?
quem foi...

eu fui
até lá e cá,
sonhei que era,
menti, sorri...
e hoje não me arrependo.
Somos vigaristas.
ah... sim, sim... somos muito vigaristas,
mas ainda assim sou eu e amo tu,
que está lendo,
esta porcaria aqui?!
me dê um tostão e faço dele dois,
sim te quero muito,
mas a vida vadia me chama,
imagina só quantos amores
eu já perdi, só a espera do dizer que tu me amas...

JÁ CHEGA,
disse o picareta a puta,
quero meu tostão e aborta esse menino,
estas gorda, vamos logo.

e no fim do dia o por-do-sol alcançou o ponto
mais belo
e o vigarista sentiu-se calmo e tranqüilo,
por um curto momento antes de ir para casa,
para se trocar, a puta sentiu esperança
e a criança que mendigava imaginou
como seria bom ter pais
e isto o fez sorrir.