segunda-feira, 24 de setembro de 2012


uma senhora de sorriso já velho,
sentada, ela olha, as pessoas caminham,
não. nada mudou. ainda assim o belo
sorriso chora, justamente por saber que nada mudou,
caminham e amam
as pessoas sós em seu ciclos de vida, "mas quem sou?".

Nada se sabe por de trás do espelho de ilusões,
se não de que se trata do engano,
mas a senhora entende o significado das enganações,
e ela sorri um sorriso cansado e velho.


(diz o trovador a parede, por não ter coragem de seguir o protocolo correto.)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

- Obriga-me
- Obrigo-te a que?
- Obriga-me a viver
- ser infame
- não queres viver
- não quero, pergunta porque?

- não
- não, o que?
- não
(Disse o barro a mão)
(a boca sopra um ar quente)
(chora a criança. Escultura sobre o chão)
(Imagem do um só)
(do pó ao pó)

Duas palavras

Fazer, dormir,
faço tudo,
sonho nada.
Sonhei, sorri,
faço imundo,
sou nada.

Trabalho, durmo,
durmo livre,
só caminho,
trabalho triste.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

há uma certa beleza no inanimado,
em uma mesa em poeirada com um copo de água pela metade,
ou mesmo uma janela fechada.
como se uma presente demonstração do passado,
como se um resíduo da natural opacidade
que o esquecimento lentamente cria sobre as memórias.

Como se fosse possível observar o liame
entre a lembrança e o olvido.
Mas é bem verdade que se trata apenas da luz refletida
sobre uma vidraça, uma luz opaca em razão da leve neblina,
dançando por entre os fachos de luz. Ou mesmo luz refletida sobre o espelho
tocando fracamente pontos que a luz naturalmente não tocaria,
como pequenos pontos de luz amarelados em espaços escuros do quarto,
pequenos relicários, de lembrança e coisas que só haviam significância
no passado,
agora distante.



sábado, 30 de junho de 2012

como os de um andarilho solitário meus sonhos são vazios,
a noite um sono inquieto é a única coisa que me aguarda.
lençóis frios e enrugados sobre a cama.
minha sombra apática e opaca se demonstra mais apaziguada que eu,
sou fino fio
de memória, lembrança perdida de alguém que se esqueceu
ou melhor abandonou um pouco de si para seguir em frente.

mera lembrança caminhando sobre os vales do esquecimento,
mais uma lembrança perdida em meio a tantas outras.
uma taça de vinho derramada sobre o carpete,
a taça quebrada reflete os momentos que se passam,
uma briga, choro, euforia, as sombras
sobre a parede, os reflexos das silhuetas sobre a taça quebrada.

nesta mistura de sensações suprimidas,
ama-se e odeia-se,
todas sensações verdadeiras esquecidas
postas em um caldeirão borbulhante sempre fechado.

somos material de fabricação própria,
o grande dilema é o que se faz com a matéria obsoleta.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

febre.



no céu da boca o mais doce mel
se espalha até o centro da garganta,
enquanto a alucinadora febre
se espalha sobre a pele fazendo-a queimar.

Delirios escorrem como um grosso véu
de lama sobre os olhos, a dançarina canta,
o canto se repete em uma agonia obscura, sente
quem vive e aflitamente tenta acordar.

Mas o delirio é real,
a criança que chora é real,
a moça que um dia esteve aqui é real,
mais real do que eu.

Pois eu sou a febre, uma companheira desleal,
o falso amor que te aquece, amor bestial.
caminhas sobre um campo opaco e o horizonte parece desigual,
sufoco-te sem esforço sobre a cama, seu mundo é meu.

em um vão escuro em plena queda,
ao meu lado, vejo uma cabeça de elefante
sobre o corpo de uma criança, e a chuva é verde
e as plantas são vermelhas.

acordo suado, confuso, preciso de água,
tenho medo de me levantar, mas o faço,
caminho descalço até a geladeira,
o chão parece feito de espinhos.

a água que provo tem gosto de sal,
a água da pia tem gosto de sal.
fora da casa uma chuva forte começa a cair.
mergulho na chuva de boca aberta.

O muro, as arvores, as portas e as janelas começam a se desfazer,
como se feitas de areia,
onde havia uma porta ou janela, agora há apenas parede,
e eu estou em pé sobre a chuva em um campo aberto

ao lado de uma casa sem portas, sinto uma mágoa,
minha pele ferve como brasa
e a chuva é como alcool sobre uma ferida.
sobre uma fogueira vejo uma mão esquentando o ferro.

as labaredas dançam,
e meu amor sorri para mim distante,
pois ela é neblina e eu não consigo me mover, sufocado,
sinto calor incessante.

e acordo.




quinta-feira, 3 de novembro de 2011



a cigarette on the hat,
a lipstick mark on the neck.
he cheated, he lied, he is walking on the saddest side of the street,
he has no glory, he is dead
in side, but he seems fine, he doesn't care
about who was the girl of the last night
and he is just enjoying walk while is still dark.

all nights awake, and at day he stays at the nearest pub,
walking everywhere, he doesn't know where to go,
he is following the path of the smoke.

the fog flows, he is sitting on the floor and
the women are looking at him, a man without past
and all they see is mystery, the unknown, in side of that poor man,
but all he promises is one night, a small chance to a bubble
of happiness. shallow is the next day, he wake up first and he knows the way out,
he follows the shadow of the clouds,
the clouds are his company and he doesn't need nothing else.


he was kind for every girl, but he vanished before they realized,
he doesn't love, he needs one night only,
and at the morning
there are just wrinkles in bed.

"So girls stay away from him,
because he doesn't know what is love..."
he is just a man
trying to walk in the shadow of the earth,
he has no face and he is everywhere,
a walker that can't sleep yet, because he knows a truth
that he doesn't want to share.