segunda-feira, 6 de agosto de 2012

há uma certa beleza no inanimado,
em uma mesa em poeirada com um copo de água pela metade,
ou mesmo uma janela fechada.
como se uma presente demonstração do passado,
como se um resíduo da natural opacidade
que o esquecimento lentamente cria sobre as memórias.

Como se fosse possível observar o liame
entre a lembrança e o olvido.
Mas é bem verdade que se trata apenas da luz refletida
sobre uma vidraça, uma luz opaca em razão da leve neblina,
dançando por entre os fachos de luz. Ou mesmo luz refletida sobre o espelho
tocando fracamente pontos que a luz naturalmente não tocaria,
como pequenos pontos de luz amarelados em espaços escuros do quarto,
pequenos relicários, de lembrança e coisas que só haviam significância
no passado,
agora distante.



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